Ilíada Parangolé
Este é um blog/processo criativo desenvolvido a partir da disciplina Tópicos Especiais em Artes Cênicas III do professor Marcus Mota, ministrada dentro do programa de Pós-graduação em Arte no Instituto de Artes da Universidade de Brasília.
A base, a força motriz para a criação é a Ilíada de Homero e o estudo sobre a comicidade.
Projeto
Lendo o canto V, senti claramente, pela primeira vez no
texto, o sufocamento do ritmo incessante da guerra e a influência das
mulheres. Pensei: qual o lugar das mulheres nessa história que é a grande gramática narrativa do ocidente? E lembrei de uma guerra particular das mulheres e seus filhos, onde tudo começa. A mãe que precisa trabalhar e não tem tempo de estar com sua criança. O ritmo incessante da produção da cidade que não produz alento, carinho. A cidade reta. A criança que necessita de dança. A mãe sufocada pela cidade, pelo tempo da cidade e a criança com fome de mãe, de tempo, de espaço, de segurança. O jogo da criança e o jogo da cidade: uma brinca, a outra submete. Quem ganhará esta batalha? Uma batalha happening selvagem e lúdica entre o desejo e a sobrevivência.
-Definição de espetáculo, conceito estético.
A ideia é criar uma instalação interativa para as crianças, todas as crianças, inclusive as nossas crianças interiores. Uma cena não linear. Apropriação da ideia de Parangolés de Hélio Oiticica, como um convite para a dança/batalha da Ilíada. Presença de visualidades da cultura africana- inspiração na teoria de Martin Bernal, na qual ele afirma nos livros "Black Athena" que a civilização clássica grega teria se originado de culturas afroasiáticas. Infância e feminismo: evocar as heroínas guerreiras através de suas vozes em músicas e gritos de guerra. A criança e a guerra. A criança brasileira
representada através de sua estética (músicas,danças e indumentárias) .
- Comicidade
Teoria da incongruência a partir da dissonância cognitiva gerada por elementos lúdicos e bélicos ao mesmo tempo.
Transformação do ritmo incessante em grotesco.
Um estudo sobre a queda. Imagens cômicas de quedas -cinema
mudo, desenho animado.
- Roteiro
Serão construídas capas e saias para as crianças, para elas vestirem -ou serem vestidas por elas- sobre a areia, com manchas de tinta vermelha e ao som
de músicas previamente selecionadas retiradas da cultura popular brasileira de
raiz e pop. Máscaras serão oferecidas. Imagens de quedas cômicas (
de heróis de estórias em quadrinhos?) projetas na parede ou no teto - a ideia da
fragilidade do héroi. Cena não linear.
Sequência: única
Ações: diálogos entre a música, as imagens e as pessoas presentes.
Objetos: capas, saias, parangolés, máscaras, areia, tinta vermelha, tendas de acampamento, equipamento de som, projeção.
Sons: gritos de guerra e músicas.
Conceito: instalação interativa lúdica que evoque heroínas guerreiras e a cultura africana no imaginário de crianças e adultos.
-Assistência criativa
Carla Barreto - artista visual
- Performers
Crianças e adultos presentes
- Cronograma e metas da elaboração
De segunda à sexta, sempre das 14:30 às 17:30.
Maio
16- Escolha do espaço na UnB e desenho do mapa de ocupação.
19,20,21,22 e 23- Seleção das músicas e sons
26,27,28,29 e 30- Produção das capas/saias/parangolés
Junho
02,03,04,05 e 06- Produção das máscaras
09,10, 11, 12 e 13 - Produção areia e teste tintas e equipamentos necessários
16 e 17 - Encontro com Carla Barreto para crítica e reflexão.
18, 20,23 e 24 - Apresentação laboratório para crianças.
30- Afinação
Jullho
01,02,03,04 - Afinação
10- Apresentação
Bom início, Camila. Espero agora mais material sobre o processo criativo dos ensaios.
ResponderExcluirOk.
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